O Tapajós Ameaçado

Complexo Tapajós

O Complexo Hidrelétrico do Tapajós é um megaprojeto do governo do Brasil que prevê a construção de cinco a sete grandes barragens no Tapajós e no Jamanxim, o seu maior afluente. O objetivo é gerar cerca de 15 mil MW de potência, constituindo a terceira maior hidrelétrica do mundo. Para isso, é necessário um investimento inicial de 21 bilhões de dólares. As graves consequências seriam a inundação de 2 mil km2 de espaços naturais protegidos e habitados, transformando assim parte do majestoso rio Tapajós num sistema de lagoas. O impacto social e ambiental será devastador, porém, isso não parece ser um problema para o governo e seus parceiros, que só usam argumentos técnicos e macroeconômicos.

A luta

Várias organizações locais e internacionais, inclusive organismos do próprio governo brasileiro, desaconselham o início dos projetos. Projetos hidrelétricos costumam ser objeto de polêmica, acusados pela morte dos rios onde se instalam, pelo fim das comunidades que deles se sustentavam, e por um medíocre retorno econômico a médio e longo prazo. O Complexo Hidrelétrico do Tapajós não só obrigará [suprimir a] ribeirinhos e indígenas a abrirem mão de seus costumes por um futuro pouco claro: também inundará e secará grandes áreas dos Parques Nacionais da Amazônia e do Jamanxim, e das Florestas Nacionais de Tapajós e Itaituba I e II. Os delicados ecossistemas do rio serão afetados irreversivelmente, ao se tornarem estacionários. Some-se, ainda, o desmatamento decorrente das estradas necessárias para os novos assentamentos formais e informais.

O mito das “Usinas plataforma”

As chamadas “usinas plataforma” são um artifício criado pelas construtoras do Complexo Hidrelétrico do Tapajós [suprimir vírgula] para tentar justificar os empreendimentos. A ideia é um modelo de operação hidrelétrica inspirada nas plataformas petrolíferas de alto mar. Segundo os defensores desse modelo, elas permitiriam a preservação da natureza, ao evitar a constituição de assentamentos humanos permanentes no entorno.

Interessadamente, essa propaganda omite que o maior problema dessas centrais tem lugar durante a construção, quando milhares de funcionários são necessários, provocando uma grande pressão humana. Uma vez que dezenas de milhares de pessoas estejam instaladas no lugar, que novas estradas tenham sido construídas, e centenas de quilômetros quadrados de floresta tenham sido destruídos, pouco importa que a usina possa ser operada por um time de 20 ou 30 pessoas que possam chegar de helicóptero: as perdas são irreversíveis e, uma vez a usina esteja funcionando, não haverá intenção real de reparação.